13 de fevereiro de 2015

Guia do Campeonato Mineiro - Módulo 2

Campeão de 2014, o Mamoré comemora junto à sua torcida
 
Começa neste domingo o Campeonato Mais Macho do Mundo - o Módulo II do Campeonato Mineiro. Em 2015, teremos apenas 11 clubes, já que o Nacional EC, rebaixado do Módulo I em 2014 desistiu do torneio. Assim serão 2 grupos, sendo o A com 5 equipes (nenhuma será rebaixada) e o B com 6 equipes (o ultimo cai para a Segunda Divisão em 2016). Os 3 primeiros de cada chave se classificam para o hexagonal final, onde jogando em turno e returno, o campeão e vice estarão na elite mineira em 2016.

Eu, Alexandre, tive o prazer de sentir como é disputar este torneio quando em 2010 era assessor de comunicação do Guarani, que naquele ano realizou uma campanha de superação e culminou com o título. 
A seguir, o grande Manula, o maior especialista em futebol mineiro, traz um Raio X completo de todos os times do Módulo 2. Dessa vez, somente ele opinará, pois eu estou um pouco por fora da preparação dos clubes. Vamos a eles:

Chave A

América 
(Téofilo Otoni)


A torcida e o caldeirão do Nassri Mattar são pontos chave a favor do América-TO
 
O Dragão do Vale do Mucuri aposta alto na volta ao Modulo I (foi rebaixado em 2013). Perdeu o técnico Ney da Matta para o Boa EC, e trouxe o carioca Marcelo Buarque, com passagens pelo Flamengo e Seleções Brasileiras de base. Destaques para o experiente goleiro Eládio, zagueiro Bruno Barros (ex-Villa Nova) e atacantes Allan Taxista (ex-Tupi) e Rogélio Ávila, que volta ao clube.

O cara: Rogélio Ávila - após fazer grande dupla com Jonatas Obina em 2011 e levar o Dragão as semifinais do mineiro, Rogélio (que chegou a usar o apelido Balotelli em passagens por Cabofriense e Boavista no RJ) volta com promessa de reeditar futebol veloz e ofensivo.
Quem pode entregar: O técnico carioca Marcelo Buarque. Sem nenhuma experiência no futebol mineiro, pode ter certa dificuldade de adaptação.
Palpitômetro: Com presença quase garantida no hexagonal final, América é forte candidato ao acesso. Boa aposta.


Na bola: a dupla "infernal" de 2011: Rogélio Ávila e Jonatas Obina
Obina foi parar no Galo, mas o bom sempre foi o Ávila...




Ipatinga


De volta a origem, o Ipatinga quer voltar a ser temido no estado


Sofrendo com crônicos problemas financeiros, o Tigrão de Aço, Campeão Mineiro de 2005, esteve até ameaçado de não entrar em campo em 2015. Apostando em parceria com investidores de Betim, o time tem o treinador mais jovem do Brasil - Fred Pacheco (ex-Betinense) de 23 anos, que terá o auxilio valioso de Sandro (campeão brasileiro 2003 pelo Cruzeiro) e o ex-goleiro Rodrigo Posso na comissão técnica. Sem grandes destaques individuais, traz o volante Lucas Tibé (ex-Villa Nova) e meia Juninho Matozinhos (ex-Democrata SL) como figuras mais conhecidas.

O cara: Juninho Matozinhos (também conhecido como Vander Jr). Jogador de boa técnica e faro de gol, era pretendido pelo rival Social. Pintou como craque no Democrata de Sete Lagoas.
Quem pode entregar: a falta de identificação do clube (que já foi Betim EC) com a cidade. Ipatingão será "campo neutro".
Palpitômetro: briga com o rival Social pela 3ª vaga no hexagonal final, no qual se estiver presente, será mero coadjuvante.


Torcida do Ipatinga. Também conhecida como Torcida do Cruzeiro em Ipatinga




Minas Boca
(Sete Lagoas)


Onde mais no mundo um time tem um escudo como esse?


Depois de um acesso meteórico, da Segunda (3ª) Divisão à Elite em 2 anos, o Minas Boca vive momento diferente. Sem a ameaça do descenso, time do empresário Edson "Paredão" aposta em um time caseiro, com o técnico Fred Incalado (ex-lateral do Atlético nos anos 80) e vários jogadores do futebol amador da região. Goleiro Ranule (ex-Democrata SL) é o mais conhecido. Atacante Paulo Marcelo e zagueiro Marcão permanecem no grupo. Conseguiu perder para um time angolano em amistoso preparativo.

O cara: Edson Paredão. Empresário dono do jornal "Boca da Mata", que dá nome ao time, é presidente e homem forte do clube. Dele partem todas as decisões.
Quem pode entregar: Quase todos. Futebol amador e profissional são esportes diferentes. A equipe é limitadíssima.
Palpitômetro: Será o lanterna do grupo, com boas chances de sofrer goleadas acachapantes.


Sem jogadores conhecidos, vale a foto da camisa. Muito bonita "digasidipassagi"



Nacional AC 
(Muriaé)


Walter Minhoca. A lenda. (o cara do lado é o goleiro Alencar)


Depois de muitos anos afastado do profissionalismo, o NAC voltou com força total em 2014 e foi vice campeão da Segundona (3ª divisão). O time é uma espécie de fusão com o Nacional Itinerante (ex-Nova Serrana e Patos de Minas) já que um dos homens fortes do clube é Amarildo Ribeiro. Manteve alguns jogadores do ano anterior, como o zagueiro artilheiro Claudio Luiz (ex-Villa Nova) e o habilidoso meia Joubert (ex-Guarani) e trouxe o técnico Jordan Freitas (ex-Nacional de Uberaba). Contará com Walter Minhoca (ex-Ipatinga e Flamengo) a grande atração do torneio. Tem o goleiro Alencar (ex-Cruzeiro) e meia Junior Lemos (ex-América) por empréstimo.

O cara: Walter Minhoca. Inegavelmente é dele que mais se espera. Tem boa técnica e histórico vitorioso.
Quem pode entregar: Walter Minhoca. Não é mais o jogador de 10 anos atrás. Amargou a reserva no Betinense em 2014.
Palpitômetro: NAC deve se classificar com tranquilidade ao hexagonal final. Com mais um ou dois reforços, é forte candidato ao acesso.


O novíssimo estádio Soares Azevedo é ponto a favor do tradicional Nacional



Social 
(Coronel Fabriciano)


Uma das melhores fotos da história do interior: torcida do Social comemora o acesso e o título em 2007
(Não conheço o autor dessa pérola)


Com uma das camisas mais pesadas do interior e animado pela boa campanha em 2014, o Saci vem mais forte nesse ano. Com o experiente técnico Gerson Evaristo (ex-Minas) tem time qualificado com os corretos Cristiano (ex-URT) no gol, Gustavo (ex-Minas) na zaga e a lenda viva Anderson Tôto, o Yaya Touré mineiro no meio campo. Na frente, Rodrigo Maranhão (ex-Novo Esporte), o veteraníssimo Luizinho (ex-Caldense) e Eraldo (ex-URT) serão a força de ataque do Saci.

O cara: Rodrigo Maranhão. Após passagem pelo futebol do Oriente Médio, chega ao clube para ser o maestro do Saci. Meia técnico e veloz, tem boa visão de jogo.
Quem pode entregar: A alta média de idade dos principais jogadores. Anderson Tôto tem 32 anos, mesma idade de Eraldo. Luizinho tem 35.
Palpitômetro: Saci deve se classificar ao hexagonal. Se o time der liga, pode correr por fora e conseguir o acesso. Difícil, mas não impossível.

 
Anderson Tôto: quando aposentar entrará pro hall de Pael e Hgamenon



Grupo B



Araxá


Ramon: de promessa no Atlético a andarilho do futebol

O Ganso novamente vem forte na disputa. Sempre apoiado pelo forte empresariado local e mordido pelo "vacilo" de 2014, quando se perdeu em meio as comemorações do 1000º gol de Tulio Maravilha, time promete foco total em 2015. Tem o ótimo técnico Wallace Lemos (ex-Betim), sério e disciplinador. É um dos melhores "olhos" do estado, com alto poder de mudar os jogos no intervalo. Volantes Dudu Araxá (ex-América) e Marcos Pinguim (ex-Villa Nova) formam boa dupla. Ganso tenta recuperar o bom futebol de Ramon (ex-Atlético), que luta contra problemas com álcool e excesso de peso. Na frente, o forte e raçudo Dalmo (ex-Ituiutabana) será o centroavante.

O cara: Renan Rodrigues (ex Rio Branco SP). Meia de boa mobilidade e visão de jogo, terá a função de ser a força motriz do Ganso.
Quem pode entregar: Ramon. Recebendo talvez a última chance na carreira, terá que provar que se recuperou. Aguardemos.
Palpitômetro: Brigará pela classificação ao hexagonal e consequentemente ao acesso. Boa aposta!


Araxá tem uma das torcidas mais apaixonadas do interior.
Público sempre lota o estádio Fausto Alvim



CAP 
(Uberlândia)




Correndo por fora em 2014, o Clube Atlético Portal conquistou a Segundona na ultima rodada. Manteve o excelente técnico Luiz Eduardo e se preparou bem. Tem o experiente goleiro Fernando Pompéu (ex-Uberaba) e trio atacante poderoso: Renna (ex-Uberlandia), Flavio Torres (ex-Funorte) e Thiago Pereira (ex-Social).

O cara: Luiz Eduardo. Técnico de muito sucesso no interior mineiro, soma 19 acessos aos módulos I e II. E o sucesso não vem por acaso.
Quem pode entregar: o fato de ser o 2º time da cidade, que tem o Uberlândia EC como seu representante "legítimo".
Palpitômetro: Conseguirá se classificar ao hexagonal e pode brigar pelo acesso. Mineiramente, como em 2014.

Luiz Eduardo: o Rei do Acesso em Minas é a esperança do CAP



Montes Claros


Não, Bruno não vai disputar o campeonato. Mas sonhou com isso em 2014

O Montes Claros ganhou notoriedade nacional ano passado quando anunciou a contratação do goleiro Bruno, (ex-Flamengo e Atlético) atualmente preso. Time do empresário Ville Mocelin, o Bicho passou por grande reformulação. Tem o técnico estreante Alan Kardec (ex-base do Villa Nova) e aposta no mescla de experiência com juventude de jogadores da região. Tem o goleiro Alex (ex-América), lateral Fayllon (ex-Valério) e meias Paulinho Belém (ex-URT) e Caio Tavera (ex-Villa Nova). E conta com um reforço internacional: o colombiano Kevin Riascos, irmão mais novo do atacante cruzeirense.

O cara: Ville Mocelin. Empresário correto e de sucesso, tenta reerguer o MOC (que já esteve na elite nos anos 90). Não poupa esforços. Nem recursos.
Quem pode entregar: a falta de entrosamento. Com muitas mudanças em relação ao ano passado, time pode demorar a se encontrar.
Palpitômetro: Corre por fora na briga pela classificação, que dificilmente virá. Se conseguir entrar no hexagonal. pode surpreender. Não se pode descartar um a luta contra o descenso. 


Kevin Riascos: partindo pra bola no Módulo II



Patrocinense
(Patrocínio)


Sociedade Esportiva Patrocinense: um genérico da verdadeira


A forte Patrocinense de décadas atrás era um outro time: O Clube Atlético Patrocinense. Depois de falir e encerrar as atividades profissionais, Patrocínio voltou ao futebol com a genérica Sociedade Esportiva Patrocinense, que herdou praticamente o mesmo escudo e as mesmas cores. Após escapar do rebaixamento em 2014 na última rodada, dessa vez o destino da SEP parece estar traçado. Com time montado a base de "peneiras" com atletas amadores e outros que não se encaixaram em outros clubes, a SEP trouxe o desconhecido técnico Carlos Oliveira, que conta ter experiência no College norte americano. Como se não bastasse, um ônibus usado pelo clube, pegou fogo recentemente. Candidatissimo ao rebaixamento, tem os atacantes Ademir (ex-base do Uberlândia) e Lucas Gama (ex-URT) como destaques.

O cara: Guilherme Ferreira. Dirigente com passagem pela Ituiutabana e bom conhecedor do futebol do Triângulo Mineiro, terá a árdua missão de comandar a SEP.
Quem pode entregar: Todos. Não se pode esperar muito de um grupo em que os jogadores vem de peneiras.
Palpitômetro: virtualmente rebaixado. Só um grande milagre (ou muita ruindade de Montes Claros ou Tricordiano) mantém a SEP no torneio em 2016.


Não tem jogador conhecido, então fica essa foto muito legal de outro campeonato


Tricordiano
(Três Corações)


A "Galo Fúria" é vibrante e apaixonada.
Um dos trunfos do time da terra do Rei Pelé


Depois de algumas participações pífias, o Galo de Três Corações vem um pouco mais forte, mas nada que prometa muito. Contando com a torcida mais fanática do sul de Minas, o CAT promete incendiar o acanhado estádio Elias Arbex. O técnico é o paulista Paulo Cezar Catanoce (ex-Caldense). Atacante alagoano Chimba (ex-Caldense) e meia Léo Andrade (ex-Funorte) são os destaques. Olho em Bruno Moreno (da base do São Paulo, que volta do futebol da Arábia Saudita).

O cara: o mando de campo. Com torcida fanática e participativa, Galo tem sempre um 12º jogador quando atua em casa.
Quem pode entregar: a instabilidade financeira. Após sofrer conturbada transição administrativa em 2013-14, o Galo espera ter mais tranquilidade em 2015.
Palpitômetro: É coadjuvante e dificilmente chegará ao hexagonal. Se bobear, pode tirar rebaixamento certo da Patrocinense.


PC Catanoce tentará usar sua experiência pra conduzir o Tricordiano




Uberlândia


A estrela no banco: Paulinho McLaren comanda o Verdão


A camisa mais "pesada" do certame, é também uma das maiores incógnitas. Após jogar fora acessos quase ganhos nos últimos anos, o UEC resolveu radicalizar e arrendou seu departamento de futebol a grupo paulista. Comandado por Marcio Malamud (ex-dirigente do São Paulo) grupo gestor confia no técnico Paulinho McLaren (ex-atacante do Cruzeiro nos anos 90). Atacante Marcos Nunes (ex-Portuguesa Santista) e meia Fábio Pereira (vindo do futebol norte americano) são os destaques. UEC anunciou parceria com Instituto Neymar Jr recentemente.

O cara: o técnico Paulinho McLaren. Único com alguma vivência no futebol mineiro, soma alguns resultados importantes no interior paulista. Será o comandante do UEC.
Quem pode entregar: Os "forasteiros". Historicamente, grupos montados exclusivamente com jogadores de outros centros, não tem sucesso no futebol mineiro. UEC tentará mudar a escrita.
Palpitômetro: UEC é incógnita. Mas quase sempre, onde há investimento, há profissionalismo. Deve chegar ao hexagonal final. Se vai brigar pelo acesso, só o tempo dirá.

 
Essa é uma foto da torcida do Uberlândia. Vendo basquete. 
O Parque do Sabiá fica vazio constantemente



Apresentadas as equipes, que role a bola para o melhor, mais disputado e emocionante campeonato do país. Rivalidades regionais, camisas pesadas e torcidas que dão show nas arquibancadas, quase sempre de cimento. Aqui o futebol moderno (e os fracos) não tem vez. Vida longa ao interior!

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