1 de maio de 2015

Ayrton Senna

* Texto escrito em 01/05/2009



Eu me lembro daquele 1º de maio de 1994. Era um domingo, ensolarado em Divinópolis e como de costume, acordei cedo pra ver a corrida. Não para ver, mas como estava passando resolvi sentar e acompanhar. Com 8 anos de idade, eu já gostava bastante daquilo, ver F1 e mais tarde o futebol, era de lei. Meu pai era um fã incondicional das corridas. Aliás, não era fã das corridas, era fã dele. Lá pro meio da corrida, me lembro de ver aquele acidente, ao vivo. O tom de voz de Galvão Bueno, triste... me lembro de ver a preocupação do meu pai com ele ainda dentro do carro. Me lembro, que uma tomada de cima, mostrou ele tombando a cabeça um pouco de lado. Um acidente grave...

Acho que não vi a corrida toda. Um pouco depois saí de casa pra brincar, como de costume também. E me lembro, que estava na casa de minha tia, quando todos correram pra TV. Era o anúncio oficial: ele tinha ido embora! Me lembro de minha mãe falar: "Corre lá em casa pra avisar seu pai." Quando cheguei em casa, ele falou: "Eu já sei..."

Era estranho, mas parece que aquele dia foi mais triste. Eu com meus 8 anos de idade não senti de imediato, a tarde fomos acompanhar o futebol e jogar bola como fazíamos todos os dias, mas tinha alguma coisa estranha. Me lembro que, nem o campeonato amador que acontecia no bairro e tínhamos costume de assistir, estava tão animado.

A noite, quando fui acompanhar o Fantástico, é que tive a verdadeira percepção do que estava acontecendo. Uma pessoa muito próxima a nós tinha ido embora. Um ídolo, uma pessoa que todo mundo admirava. Era tudo muito estranho... "Ele não ficava bem nesse carro azul. O carro dele era o vermelho e branco", foi uma das únicas frases que meu pai falou durante o programa todo, quando mostrou Senna minutos antes da corrida.


Eu ouvia falar de Senna desde bem moleque, quando me recordo dos meus lapsos de gente antes dos 5 anos de idade. Tudo pq meu pai não perdia uma corrida dele. Não acompanhei mais sua carreira justamente porque na data de sua ida eu só tinha 8 anos de idade. Mas me lembro da vitória no GP Brasil em 1993, quando uma multidão desceu pra carregá-lo no colo. Lembro, de um amistoso entre Brasil x Alemanha quando Senna entrou em campo pra dar o pontapé inicial. Me lembro da musica tocando em cada manhã de domingo... tema que ficou ausente por 7 anos, até a vitória de Barrichello em 2000. Mas quando voltou a tocar, parece que havia uma unanimidade: "não é a mesma coisa".

Naquele 1º de maio de 1994, o Brasil perdeu um dos seus grandes ídolos. Explicar o carisma e a "adoração" que Senna tinha por parte do povo brasileiro é uma coisa estranha. Nenhum piloto voltou (nem voltará) a tê-la. Acho que nenhum esportista. 15 anos depois, nos resta lembrar e homenageá-lo. Pra mim, que acompanhei pouco, mas mesmo assim já tinha a dimensão do que aquilo significava, e para aqueles que tinham Senna, como um ídolo, talvez uma pessoa próxima, sem mesmo nunca terem o conhecido... como acho que era o caso do meu pai. Hoje ele nem acompanha mais corridas. Vê esporadicamente. Acabou todo aquele encanto de antes, mesmo com a boa técnica e competitividade da F1 nas duas últimas temporadas...

Senna, 21 anos* de uma memória intacta. Espero que o povo brasileiro nunca se esqueça, desse que pode não ter sido o maior de todos os tempos, mas pro brasileiro, nem tem discussão quanto a isso.