1 de dezembro de 2015

A consagração de um Gênio **



Desde moleque eu sempre gostei de acompanhar a NBA. Por meio das transmissões da Band (tarde da noite) eu conseguia ver um pouco do Chicago Bulls de Michael Jordan, sem saber que eu estava testemunhando uma história das mais ricas da liga norte americana. Com a ajuda dos videogames na época - Super Nintendo com NBA JAM e NBA Give N' Go - o interesse pelo basquete e principalmente pela NBA aumentou e sempre que podia acompanhava um pouco. Confesso que hoje estou um pouco desligado e desatualizado do que anda acontecendo, mas no final da década passada eu cheguei a assistir quase na totalidade das partidas mostradas pela ESPN nas noites de terça e sexta. 

E eu não gostava muito do Kobe Bryant. Ele me passava um ar meio... sei lá, pretensioso demais. Preferia o LeBron James. Mas isso mudou após a final da temporada 2008-09 quando o seu Los Angeles Lakers bateu o Orlando Magic na final e percebi que eu também estava testemunhando história - a exemplo de quando assistia Jordan no Bulls - e deixei um pouco minha cisma de lado. Hoje, com o anúncio de sua aposentadoria, vejo que Bryant será lembrado pelas gerações futuras como um dos maiores que já passaram pela NBA. E há 6 anos, escrevi um pouco sobre aquela que era a consagração do Gênio Kobe Bryant

** Texto escrito em 15 de junho de 2009 em meu antigo e falecido blog.


A Consagração de um Gênio!




Eu não sou torcedor do Los Angeles Lakers, muito menos morro de amores por Kobe Bryant. Mas sei reconhecer quando a superioridade e o talento são latentes, e saltam aos olhos e principalmente, quando estamos testemunhando história. Ao conquistar neste domingo seu 15º título na história, a franquia da Califórnia não só se consagra como a segunda mais vencedora da NBA (perdendo somente pro Boston Celtics com 17), mas também escreve um nome no hall dos gênios do basquete: KOBE BRYANT

Pessoalmente, eu preferiria estar escrevendo este texto em referência a Lebron James, pois sou fã de carteirinha do número 23. Mas falta o título. Lebron ainda chega lá, (espero) mas enquanto amarga seu vice-campeonato do leste e curte suas férias, vamos falar do que está sendo construído e não pode ser ignorado. Kobe Bryant, é o jogador da década da NBA! Ainda com meu tom de crítica, creio que sem o espanhol Pau Gasol, Kobe não teria conquistado o título. Como disse Magic Johnson no intervalo da partida, quando perguntado que prêmio Kobe deveria dar ao espanhol. Ele apenas respondeu: “dividir o salário com ele”. Toda equipe campeão tem que ter mais de um “fora-de-série”. O Boston ano passado tinha Garnett, Allen e Pierce. O Bulls do segundo tri Jordan, Pippen e Rodman. Enquanto o Magic e o Cavaliers atuais tem somente Howard e James respectivamente. Gasol é o pilar para o título “solo” de Kobe, mas como sabemos, ficará como coadjuvante.

Mesmo não sendo fã pessoal de Kobe, mudei muito minha opinião após assistir o documentário Kobe Doing Work, dirigido por Spike Lee. Nele, as câmeras ficam durante todo o jogo em Kobe, durante uma partida contra o San Antonio Spurs, ainda pela temporada regular. Pra quem está acostumado com o futebol, os “chinelinhos”, a falta de seriedade, o profissionalismo de Bryant assusta. O foco e a seriedade com que ele encara uma partida, sendo ela um playoff ou um jogo qualquer, foge da compreensão de alguns “sérios” esportistas. E ao conquistar seu quarto título, parecia um garoto, repetindo: “É como um sonho é inacreditável!” e fugindo de qualquer alcunha de All-Star afirmando: “Esse time se sacrificou muito, conquistamos esse título juntos!”

Kobe abraça Phil Jackson: "Um gênio dentro de quadra e outro fora"

Após a derrota para o Celtics de Garnett, Pierce e Allen na temporada 2008, Kobe disse que amadureceu bastante, e a vontade de ganhar novamente só aumentou: “aprendemos muito jgando com o Celtics. Nos serviu de lição pra essa temporada” disse no documentário de Lee. E esta foi a temporada do #24 do Lakers. Ao marcar nada menos que 61 pontos no lendário Madison Square Garden contra o New York Knicks e ter seu nome ovacionado pela torcida adversária, ele escreveu de vez, seu nome entre os grandes.




Neste domingo, 14 de junho de 2009, o fã de basquete e da NBA viu uma história ser construída diante de seus olhos. Ao ver Phil Jackson, o comandante do Chicago Bulls da era Jordan se tornar o treinador mais vitorioso da história da liga e ao ver Kobe Bryant colocar fim a dúvida: se ele era capaz de liderar um time para um título, sem a presença de outro gigante (no caso Shaquille O’Neal, seu parceiro e MVP das finais nos últimos três títulos do Lakers em 00, 01 e 02). Kobe entra definitivamente para o hall dos maiores jogadores da história da NBA, figurando ao lado Karl Malone, Kareem Abdul-Jabar, Magic Johnson, Larry Bird, Bill Russell, entre outros. Não cito Michael Jordan porque ninguém figura “ao lado” dele. Como diria Everaldo Marques, narrador da ESPN, “nós temos a mania de desprezar tudo o que está acontecendo agora, valorizando apenas o passado. Mas temos que saber reconhecer quando estamos presenciando a história”, e com a vitória de Kobe ontem, nós estamos! Para a geração que não viu Jordan em quadra, como eu tive a sorte de ver no último tri-campeonato do Bulls (em que ficava até tarde grudado na Band pra assistir), Kobe Bryant é o grande nome! Daqui a 30 anos, quando olharem pra trás, verão que Bryant foi e será lembrado como uma dessas grandes lendas...

Só lembrando que: Jordan foi campeão pela última vez em 1998, com 35 anos. Bryant ainda tem 30, e com uma equipe que dificilmente é batida... ainda podemos esperar mais... 

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Como já sabido agora, 6 anos depois: James já levou o anel de campeão da NBA (2011-12 e 2012-13) com o Miami Heat e Kobe ganhou mais um título, quando na temporada seguinte teve sua revanche sobre o Boston Celtics.

Link para o documentário KOBE DOIN' WORK de Spike Lee: https://www.youtube.com/watch?v=-8TA_u_YIK8

E hoje se me perguntarem de quem eu gosto mais, não tenho dúvidas... de Kobe Bryant, rs