12 de fevereiro de 2016

Guia do Campeonato Mineiro Módulo 2


Uberlândia: campeão em 2015 faz a festa no Parque do Sabiá. (foto: Marcos Ribeiro)

Começa neste final de semana um dos melhores campeonatos do mundo. O  CAMPEONATO MINEIRO DO MÓDULO 2. Ao contrário da primeira divisão do Estadual, aqui não há três times que tem um poderio financeiro abismal frente aos demais, nem a chance de aparecer na TV (no máximo na hora dos gols em 5 segundos no programa de esportes da segunda-feira), muito menos os recursos da elite. No Módulo 2, o buraco é bem mais embaixo quando se trata de competição, rivalidade e nível técnico. Vale usar de tudo um pouco e principalmente da malandragem de quem conhece os campos do interior, para levar os 3 pontos. É quase uma Libertadores dos anos 60 ainda ecoando nas canchas das Minas Gerais...

E neste campeonato, contamos com camisas pesadas. Torcidas apaixonadas, rivalidades regionais que dão um brilho todo especial a competição. O regulamento em 2016 foi mantido com a mesma fórmula de disputa de anos anteriores, sendo dois grupos de 6 clubes com as equipes jogando em turno e returno dentro das chaves. Os 3 primeiros de cada grupo se classificam para o hexagonal final e o ultimo de cada grupo cai para a Segunda divisão em 2017. No hexagonal final, jogos de turno e returno. Os 2 primeiros sobem para o Módulo I em 2017.

Grupo A: Araxá, CAP Uberlândia, Formiga, Mamoré, Patrocinense e Uberaba.
Grupo B: América-TO, Democrata-GV, Ipatinga, Minas Boca, Nacional e Social.

A seguir, com a análise precisa do nosso especialista WILSON MANULA, vamos apresentar os 12 times que irão em busca do título e do acesso à primeira divisão no ano que vem. Ele traz todos os detalhes de cada time que a partir deste dia 13, começa a sua peregrinação rumo a conquista de um dos troféus mais difíceis de se conquistar. Vamos lá:

Grupo A


Araxá

O Araxá tem uma das torcidas mais fortes do interior

Clube tradicionalíssimo do interior mineiro, o Ganso “bateu na trave” do acesso em 2015, perdendo a classificação na ultima rodada em Três Corações. Novamente candidato a uma das vagas na elite em 2017, o clube trouxe o experiente técnico Luiz Eduardo, o “rei do Acesso” em MG, com nada menos que 19 promoções no estado. Com time experiente e aproveitando alguns jovens (Araxá é bicampeão do interior na categoria sub 20), Ganso chega muito bem cotado no torneio. O goleiro é o seguro Cristiano (34 anos, defende seu 13º clube no estado); estava no Formiga em 2015. Volante Maxuel (ex-Caldense) protege bem a defesa. Meia Ícaro (ex-Moto Club MA) dita o ritmo de jogo e na frente Robinho (ex-URT) municia o matador Tiago Pereira (ex-Democrata GV). Olho no jovem meia atacante Leozinho, que vem da equipe sub 20. É muito bom jogador.

O cara: Maxsuel. Aos 34 anos, com boas passagens por São Caetano SP, Villa Nova e Caldense, Maxsuel Justino disputa seu 10º campeonato mineiro. Volante vigoroso e com bom passe, não perde nenhuma dividida. Corre os 90 minutos.

Maxsuel é a experiência na meia cancha do Ganso

O que pode ajudar: A experiência e competência do técnico Luis Eduardo, profundo conhecedor do futebol mineiro. Além disso, o clube é bem estruturado as finanças estão em dia. A torcida apóia muito no Fausto Alvim.

O que pode atrapalhar: Tradicionalmente, o Ganso sofre muito fora de casa, perdendo pontos importantes para equipes menos qualificadas. Tem que melhorar seu desempenho fora de Araxá.

Palpitômetro: É um dos candidatos ao acesso. Deve se classificar sem grandes sustos ao hexagonal final e lutar por uma das vagas na elite em 2017.


CAP
(Uberlândia)

O Clube Atlético Portal de Uberlândia quer ser chamado só de Atlético Uberlândia

Após ameaçar ficar fora do torneio (presidente Ronaldo Alves confirmou nos últimos dias a presença do CAP), as Águias do Cerrado se reorganizaram, trocaram de escudo, e firmaram parceria com grupo paulista ligado a Márcio Malamud (ex-dirigente do São Paulo). O Técnico é Paulo Cesar Catanoce, campeão do Modulo II em 2015 pelo Uberlândia. O elenco é modesto e conta com maioria de jogadores do interior paulista. Os mais conhecidos do torcedor mineiro são o zagueiro Fernandão (ex-Uberlândia), volante Mário Cesar (ex-Tricordiano) e atacante  Dalmo (ex-Araxá). Olho no jovem Maike Pelezinho (ex-Fluminense de Araguari). Venceu o Batatais da A3 paulista por 4x0 no ultimo amistoso preparatório.

O cara: Atacante Dalmo. Típico centroavante de referência, Dalmão é muito forte e tem excelente aproveitamento no jogo aéreo. Experiente (32 anos), tem passagens por futebol búlgaro e tcheco. Em MG, defenderá seu 9º clube. Em 2015 estava no Nacional de Uberaba.

Dalmo tem história no futebol do triângulo mineiro

O que pode ajudar: O CAP não tem o favoritismo (nem a pressão) de Araxá, Mamoré e Uberaba, e muitas vezes, correr por fora, pode ser favorável.

O que pode atrapalhar: A falta de identificação com o torcedor. A cidade de Uberlândia tradicionalmente apóia o UEC como legítimo representante local. Se jogar no Parque do Sabiá, é possível que alguns visitantes tenham mais torcida que o CAP.

Palpitômetro: Não sobe. Embora possa ameaçar os favoritos e até chegar ao hexagonal (o que já seria surpresa), o CAP deve mesmo ser coadjuvante.


Formiga



Empolgado com a conquista do acesso (foi vice campeão da Segunda Divisão em 2015), o FEC volta com força total. A expectativa é retornar á elite após 45 anos (ultima vez que o FEC esteve na 1ª divisão foi em 1972). Mas não deve ser tão simples. O grupo A é bem mais forte que o B e o time terá que lutar muito para chegar ao hexagonal final. O técnico é o correto Gerson Evaristo, que permanece no clube depois de ter conseguido o acesso em 2015. O goleiro Gustavo Silva (ex-Ipatinga), reserva em 2015, assume a titularidade. O lateral Gleissinho (também remanescente de 2015) é ídolo da torcida. Na direita, chega Lucas Mineiro (ex-Nacional de Uberaba). O meia Hugo Sanches (ex-base do Cruzeiro e Tupi) qualifica o meio campo, que ainda tem o habilidoso Diego Luiz (ex-XV de Piracicaba). O centroavante Flávio, destaque em 2015, também fica. E ainda chegam Vitor Flora (ex-Botafogo  SP e Liverpool) e Paulo Matos (ex-Náutico) para o ataque. Nos amistosos preparatórios, duas derrotas (por 0x1) para América e Boa Esporte e um empate 1x1 ante o Social.

O cara: Centroavante Flávio. Vindo do XV de Piracicaba em 2015, Flávio Henrique de Carvalho, 30 anos, caiu nas graças da torcida com faro de gol e muita luta. Com passagens por Guarani, América de Cali-COL e Oriente Médio, é a esperança de gols do FEC em 2016.

O que pode ajudar: O apoio da torcida. A cidade abraça o clube e o torcedor do FEC é fanático. O acanhado estádio Juca Pedro será o mando de campo mais temido do torneio. Dificilmente o FEC perde em casa.

Estádio Juca Pedro: não queira jogar uma decisão aí. Vai por mim. (Foto: Blog da Segundona Mineira)

O que pode atrapalhar: O clube caiu na chave mais forte e a concorrência é muito pesada. O fato de ser “caçula” no Módulo II pode pesar contra.

Palpitômetro: Os jogos em Formiga são espetáculo á parte com a torcida do FEC. O sonho de conseguir o acesso é muito improvável. Dificilmente o FEC chegará ao hexagonal final. Se chegar, pode surpreender.


Mamoré
(Patos de Minas)

Eu disse no Guia do Módulo I: Futebol em Patos = Show na arquibancada

Mordido pelo rebaixamento em 2015, o Sapo de Patos de Minas volta disposto a retornar á elite. Clube bem estruturado, tem um dos estádios mais modernos do interior. O técnico é o excelente Wallace Lemos (47 anos, ex-Araxá), que pela primeira vez tem em mãos um time capaz de brigar pelo acesso. Seu auxiliar é o ex atacante Pael, ídolo da torcida verde e branca. O goleiro é Cleisson (ex-Nacional de Uberaba). Na zaga, Rafael Graces (23 anos, ex-Globo RN) é o rebatedor e Junior Campos (24 anos, ex Mixto e Avaí, de 1,92m) é especialista na bola aérea. No meio campo, o volante China (ex-América) tem bom passe e boa saída de bola. Terá ao seu lado o versátil e incansável Marcelinho (ex-Villa Nova). Pra ele, não tem bola perdida. Fecha o setor  Allan Patrick, jovem cedido pelo América. Na frente, a experiência de Luizinho (36 anos, ex-Villa Nova e Caldense) pode fazer a diferença. Romarinho (21 anos, ex-Nacional de Muriaé) e Alemãozinho (ex-Villa Nova) são as opções de velocidade. O Sapo empatou em 2x2 com o Paracatu e venceu a URT no clássico de Patos de Minas por 1x0, além de golear o Venda Nova por 6x0 nos amistosos preparatórios.

O cara: Atacante Luizinho. Aos 36 anos, Antonio Luiz Ferreira dos Santos defende o Mamoré pela 2ª vez (é seu 8º clube em MG). Jogador de habilidade e muito veloz, pode atuar aberto nas pontas ou fechando pelo meio da área.

Wallace Lemos vai tentar mais um acesso (Foto: Patos Já)

O que pode ajudar: O técnico Wallace Lemos é dos poucos treinadores com boa capacidade de ler o jogo e mudar o ritmo da partida no intervalo. Terá boas peças e opções no Mamoré.

O que pode atrapalhar: Além de ter caído na chave mais difícil, as atenções (e também investimentos) da cidade estarão divididas com a rival URT, que está na elite do estado.

Palpitômetro: Mamoré é sempre candidato ao acesso. Deve se classificar ao hexagonal final e lutar por uma das vagas. Não é favorito, mas pode muito bem correr por fora e atropelar.


Patrocinense
(Patrocínio)



Salva miraculosamente do descenso em 2014 e 2015, a SEP se associou ao empresário Marco Aurélio Jacózinho (ex-atleta de Ponte Preta e Flamengo) para montar o time de 2016. Sem o mesmo aporte financeiro do poder público municipal de anos anteriores, novamente a luta será contra o rebaixamento. O Técnico é  Marcos Bruno (ex-Varginha EC, vem do sub 20 do paulista Sumaré em 2015 ). O goleiro é o veterano Paulão (36 anos, vindo do interior paulista). Na zaga, Fábio Bahia (ex-Palmas TO e Ubiratan MS) é o xerife. Volante Renan (ex-Villa Nova) tem boa saída de bola e o jovem meia Matheus Gomes (19 anos, ex Diadema SP) é a aposta de habilidade. Na frente Wallison  (20 anos, também ex-Diadema SP) e Kalahan Walker (22 anos, ex-Villa Nova) são os homens gol. É muito pouco. Perdeu para Inter de Limeira (0x3), venceu o Capivariano (3x1) e empatou (0x0) com a URT nos amistosos preparativos.

O cara: Kalahan Walker. Meia atacante surgiu bem demais no Villa Nova (foi vice campeão mineiro sub 20 em 2012) mas não se firmou. É habilidoso e finaliza bem. Precisa ter mais intensidade e consistência.

A torcida até tenta, mas... é difícil

O que pode ajudar: O grupo é homogêneo e sem estrelas. Terão que se fechar e extrair o máximo uns dos outros para jogar em nível razoável. O que usualmente só funciona com atletas jovens e desconhecidos.

O que pode atrapalhar: O nível técnico da equipe é muito baixo. No papel, é disparado o time mais fraco do grupo A. Terá que compensar com muita dedicação e transpiração.

Palpitômetro: Candidatíssimo ao rebaixamento. Só alguma surpresa negativa dos adversários e muita superação (combinados) podem manter a brava Patrocinense no Modulo II. É difícil.

  
Uberaba 

Contando com uma das maiores torcidas do interior de Minas, o Zebu quer voltar a elite

Um dos clubes mais tradicionais do interior mineiro, o Zebu volta como Campeão da Segunda Divisão em 2015. O experiente tecnico Wantuil Rodrigues permanece. Uberaba se fortaleceu bem e mira o acesso. No gol Giuliano (ex-URT) passa muita segurança e tranquilidade. Nas laterais Faylon (ex-Valério) permanece e o canhoto Yago Ferrari (ex-base do Cruzeiro e Trio) tambem pode jogar na meia esquerda. O volante Lucas Hulk (ex Formiga) se junta ao veterano Balduino, como homens de contenção. Os dois chegam bem na frente. Na armação Marquinhos (ex-base do Cruzeiro e Sertãozinho SP) será o maestro, enquanto o habilidoso Joubert (ex-Valério e Guarani) chegará mais perto da área. Na frente, Leo Porto (ex-Nacional) e o artilheiro Rudimar (grande destaque do título de 2015) terão a companhia de Douglas Esquilo (ex-Novo Esporte). Nos amistosos preparatórios, derrotas (ambas por 0x1) contra URT e Comercial SP, e vitória por 4x1 sobre o Arsenal de Frutal.

O cara: Centroavante Rudimar. Aos 29 anos, o gaúcho Rudimar Prunzel Horlle chegou com tudo em MG, conseguindo logo 2 acessos em 2015 (com o Tricordiano e o próprio Uberaba). Jogador forte e de boa mobilidade, tem nas finalizações certeiras sua maior arma.

O que pode ajudar: A camisa pesa, e isso o USC tem de sobra. Zebu manteve o treinador e base vencedora, além de se reforçar bem. O momento é muito positivo.

Balduíno: Não sei como em Uberaba ainda não tem uma estátua desse moço

O que pode atrapalhar: Por incrível que pareça, o excesso de bons jogadores. Os remanescentes podem “estranhar” os novatos. Caberá ao técnico Wantuil Rodrigues gerenciar esse vestiário.

Palpitômetro: Uberaba é um dos fortes candidatos ao acesso. Deve se classificar ao hexagonal e brigar por uma das duas vagas na elite. Zebu é uma das apostas mais seguras.



Grupo B

América
(Teófilo Otoni)

Ele não voltou, mas o América quer voltar aos dias de glória de quando ele estava lá

Depois de passar por crise financeira que comprometeu o desempenho do clube em 2015, o Dragão promete voltar mais forte esse ano. Mas a triste realidade é que dificilmente o Mecão voltará a elite em 2017. Ao contrário, a preocupação maior é evitar o rebaixamento. O técnico é o jovem Luiz Antonio Vaz Coelho (38 anos, ex-Democrata GV). A equipe é formada basicamente por atletas jovens e veteranos desconhecidos como o goleiro Donizete (ex-Prudentópolis PR), laterais Deivison (19 anos, emprestado pelo Atlético) e Iago (ex-Novo Esporte), zagueiro Celio Lima (33 anos, ex-Nacional SP), volante  Bob (35 anos, ex-Democrata GV) e atacante Deivisson (ex-Ferrocarril-ARG).

O cara: Meia Ricardinho. Jogador canhoto de boa técnica, Ricardo dos Anjos Martins tem 25 anos e se destacou no sul (Francisco Beltrão PR, Operário Mafrense SC e Marau RS). Estava no Sanarate FC, da Guatemala.

O que pode ajudar: O apoio da torcida. Teófilo Otoni respira futebol e a torcida do Mecão transforma o Nassari Mattar em um caldeirão. Especialmente em jogos com calor infernal ás 10h.

Não queira jogar aí às 10h da manhã de domingo. Vai por mim.

O que pode atrapalhar: A exemplo de 2015, o fator econômico ainda preocupa o Dragão e desacertos podem acontecer. Tomara que não.

Palpitômetro: o elenco é modestíssimo. Dificilmente conseguirá se classificar ao hexagonal final. O objetivo maior é evitar o rebaixamento.


Democrata
(Governador Valadares)


Pantera Cor de Raça: Tradição pesa demais no Democrata

Disposta a voltar á elite após rebaixamento em 2015, a Pantera não quer ficar mais que um ano no Módulo II. Um dos primeiros clubes a se preparar para o torneio, é um dos favoritos ao acesso (e também ao título). O técnico é o excelente Eugênio Souza, com boas passagens por vários clubes mineiros (foi campeão brasileiro da serie D em 2014 pelo Tombense). Conta ainda com a experiência administrativa de Amarildo Ribeiro (ex-Ipatinga e Nacional EC), grande conhecedor do futebol do interior. No gol, a briga é boa entre o jovem rondoniense  Alencar (ex-base do Cruzeiro e Nacional EC) e Victor Souza (ex-Tombense e Tupi). A defesa tem a experiência e categoria de Carciano (ex-Villa Nova). No meio, o veterano Francismar (ex-America, Cruzeiro, Vasco, Tombense, entre outros) é o destaque. Na frente, a aposta é em Thiago Cavalcanti (ex-Atlético) e André Carreiro (ex-Nacional EC). Venceu o Tombense (2x1) e 2 vezes o capixaba Real Noroeste (ambas por 1x0) nos amistosos preparatórios.

O cara: Francismar. Meia armador muito habilidoso, controla bem o ritmo do jogo e aos 32 anos, consegue acelerar ou retardar a partida. Tem ótimo passe, bate bem na bola e chega bem na área adversária. Pode desequilibrar.

Francismar, o "cruel". Candidato a craque do campeonato (Foto: Lance)

O que pode ajudar: A camisa. Ao lado do Uberaba, é a mais “pesada” do torneio. O planejamento antecipado e a boa montagem da equipe, com peças chave de boa qualidade em cada setor.

O que pode atrapalhar: a disparidade técnica dos grupos. Democrata vai passar com facilidade ao hexagonal, mas como o grupo A é BEM mais forte, pode não ter a medida exata de sua força (e também dos adversários).

Palpitômetro: Pantera é não só candidata, mas favorita ao acesso. Chegará sem maiores dificuldades ao hexagonal e aí sim começa a verdadeira briga pelas duas vagas na elite em 2017. É ótima aposta.


Ipatinga


O time campeão mineiro em 2005: a lembrança sempre será essa aí

Ultimo campeão mineiro fora de BH (em 2005) e ex integrante da série A, o Tigrão de Aço já viveu dias melhores. Em crônica crise financeira, o clube aposta em jovens atletas da região e nomes pouco conhecidos. O técnico é  Wasterdeyle Lima (tem 42 anos e dirigiu Francana SP e Novo Esporte), auxiliado pelo ex-atacante do Social, Conrado Ramos, de 31 anos. No gol, Breno Pessoto, foi para o futebol grego e Gustavo Arruda (23 anos, ex-Cincão PR e Cascavel) deve assumir a camisa 1. Na defesa o destaque é o experiente lateral Marcio Gabriel (32 anos, que volta ao clube vindo do Cascavel PR), além do zagueiro Higor Gaúcho (ex-Valério). No meio,o volante Xisto (23 anos, ex-Vocem SP) protege a defesa. Geovani Lage (ex-América) é o toque de experiência e Liniker (ex-Nacional de Muriaé) é o destaque. No ataque, Parrão (ex-Cotia SP e Novo Esporte) será a referência. Chalita (28 anos ex-Ceres RJ) volta ao clube. Jeferson Silva (ex-Radium SP) completa o setor.

O cara: Lateral Márcio Gabriel. Volta ao clube que o projetou depois de rodar por sete estados diferentes. Jogador que chega fácil no ataque e finaliza bem, pode ser a válvula de escape do Tigre.

Como o time é muito desconhecido, fiquem com uma imagem do Ipatinga na Série A do Brasileiro (Foto: Lance)


O que pode ajudar: Estar em um grupo mais fraco e correr por fora. Ninguém está apostando no Tigre e isso não é ruim. Pode surpreender.

O que pode atrapalhar: A limitação técnica dos atletas será o maior inimigo. No papel, o time é muito fraco. Pra piorar, o estádio Ipatingão ainda não foi liberado e não é impossível que o Tigre tenha que jogar na casa do rival Social.

Palpitômetro: Novamente o Ipatinga será um mero coadjuvante. Se alcançar o hexagonal final, já será uma grande façanha. O mais provável é que lute contra o rebaixamento. Hoje o Tigre está mais perto da Segundona que da Elite.


Minas Boca
(Sete Lagoas)

Fala sério, esse escudo é muito legal


Com campanha pífia em 2015 (só não foi rebaixado porque o Nacional de Nova Serrana desistiu de disputar o torneio), o João de Barro volta remodelado em 2016. O empresário Edson Paredão passou o comando do clube a grupo empresarial do Proesp. O técnico é o professor (docente da Escola de Educação Física da UFMG) Jurandy Gama Filho. A equipe conta basicamente com jovens atletas e alguns veteranos já conhecidos do torcedor setelagoano. O goleiro é o ótimo Victor Hugo, (ex-Villa Nova e Tupi). Na defesa, destaque para Gustavo Alves (ex-Social), que volta ao clube. Faz boa dupla com o voluntarioso Fabrício (ex-Villa Nova). No meio, Juninho Matozinhos é tecnicamente diferenciado. E na frente o veterano Paulinho Guará (ex-base do Atlético e Duque de Caxias-RJ) ainda joga muita bola. Perdeu para América (0x1) e Villa nova (0x2) nos amistosos preparatórios.

O cara: Juninho Matozinhos. Aos 25 anos, Vander Lucio Rodrigues Junior, volta á cidade que o projetou. Surgiu como craque no Democrata e passou por Villa Nova e Ipatinga sem se firmar. É muito bom tecnicamente, mas convive com problemas físicos e excesso de peso. Em boa forma, pode desequilibrar.

De novo: o time é tão desconhecido que tivemos que colocar uma foto do Fábio Jr. em 2012 (Foto: Gazeta Press)

O que pode ajudar: A falta de pressão. Por ter nascido como “clube empresa”, o Minas não sofre a forte “cornetagem” da torcida, que outras equipes mais tradicionais enfrentam.

O que pode atrapalhar: A falta de identificação com a cidade. O torcedor setelagoano é democratense por excelência e a Arena do Jacaré costuma ser campo neutro em jogos do minas Boca.

Palpitômetro: Ambiciona chegar ao hexagonal final, mas dificilmente conseguirá. E se chegar, será coadjuvante. O objetivo maior é escapar do rebaixamento. É provável que consiga.


Nacional
(Muriaé)

Estádio Soares de Azevedo é um dos mais novos do interior.

Em seu 3º ano de volta ao profissionalismo, o NAC busca retornar á elite mineira após 35 anos. O Técnico é João Carlos, ex zagueiro do Cruzeiro e Seleção Brasileira. No gol. A briga é boa entre Paulo Victor (ex-base do Atlético) e Ranule (ex-Democrata 7L). A defesa tem o zagueiro Ricardo Lucena (ex-America RJ). No meio, a experiência do volante Anderson Tôto (ex-Funorte e Social) e armador Léo Caixeta (ex Montes Claros), somada á habilidade de Júnior Lemos (ex-América), é o ponto forte do NAC. No ataque Danilo (ex-Valério), Michel Tuíque (ex-base do Corinthians) e Ney Mineiro (ex-São Bernardo SP e futebol do Qatar) tentam fazer os gols. Nos amistosos preparatórios, empates em 0x0 Atlético Itapemirim e 2x2 Tombense, além de derrotas 0x2 Macaé e 1x2 Americano.

O cara: Anderson Tôto. Aos 32 anos, Anderson Alves de Oliveira defende seu 12º clube do interior mineiro. Volante versátil (também joga na zaga e lateral direita) e voluntarioso, Tôto é o jogador raçudo que corre os 90 minutos. O cão de guarda que todos querem ter em seus times.

Anderson LENDA Tôto: Vai pro seu 67º Campeonato Mineiro

O que pode ajudar: Ainda empolgada com a volta ao profissionalismo, a cidade de Muriaé abraça o NAC. O estádio Soares de Azevedo é dos melhores do interior. A parte financeira ajuda.

O que pode atrapalhar: O time titular tem (alguns poucos) bons jogadores, mas o elenco é limitado. Técnico João Carlos não é dos mais brilhantes (foi eliminado na 1ª fase do torneio em 2015).

Palpitômetro: Favorecido por ter caído em grupo mais fraco, NAC pode (e deve) avançar ao hexagonal final. Mas as ilusões acabam por aí. Deve ser coadjuvante.


Social 
(Coronel Fabriciano)

Gustavo Rodrigues, o "Brancão" é o treinador mais jovem da competição: 31 anos

Depois de ter “batido na trave” em 2015, dessa vez o Saci aposta alto no acesso. O competente técnico Fred Pacheco  deixou o time no fim de janeiro, com problemas de saúde na família. Foi muito bem substituído por Gustavo “Brancão” Rodrigues (ex-base do Araxá, foi bi campeão mineiro do interior sub 20 e fez grande campanha na Taça SP 2016 com o Gansinho). No gol, os jovens Thulio (ex-Betinense e Ipatinga) e Thierry (ex-Novo Esporte) brigam pela camisa 1. Na zaga Cirão (ex-America e Democrata 7L) e Deivisson (ex-Villa Nova e Tupi) formam boa dupla. Willians (ex-América)  e Magno (ex-Tupi, voltando ao clube) também compõem a defesa. Os volantes Deivid Silva (ex-América) e Lima (ex-Icasa CE) protegem a defesa e municiam  os meias Robinho (ex-Tricordiano) e Guilherme (ex-Esportiva Guaxupé). Na frente, Marcelo Sabino (ex-Boa Esporte), Leo Andrade (ex-Tricordiano) e Stenio Garcia (ex-Real Noroeste ES) são as referências. O Saci fez 9x1 na Seleção de Manhuaçu e empatou em 1x1 com o Formiga nos amistosos preparatórios.

O cara: Cirão. Zagueiro forte e vigoroso, Ciro Luiz Gomes de Carvalho também tem boa técnica pra chegar á frente. Muito bom no jogo aéreo, será o pilar de segurança da defesa socialina.

O que pode ajudar: O time é bom, o técnico é competente e a torcida é fanática. Social tem tudo pra fazer grandes partidas no Louis Ensch.

A melhor foto da história do interior. Vou postar ela todo ano quando falar do Social

O que pode atrapalhar: Embora o elenco seja homogêneo e equilibrado, falta um jogador que desequilibre. Principalmente no hexagonal final, esse homem com “algo a mais” poderá fazer falta.

Palpitômetro: Saci vem forte. O time tem boas peças e se der liga, pode beliscar uma vaga na elite. Deve passar com tranquilidade ao hexagonal, onde não será favorito. E correndo por fora, poderá surpreender.


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