28 de novembro de 2016

Tupynambás é o Campeão Mineiro da Segunda Divisão

 

Logo no primeiro ano de retorno ao futebol profissional, o Tupynambás de Juiz de Fora garantiu neste domingo o título de Campeão Mineiro da Segunda Divisão (3ª) de 2016. O time juizforano empatou com o Coimbra na Arena do Jacaré em Sete Lagoas e se sagrou campeão com 19 pontos, somente 1 a mais que o vice-líder e também promovido ao Módulo 2, Betinense.

Líder de ponta a ponta, o Tupynambás marca novamente seu nome no cenário do futebol mineiro e já havia conquistado o acesso com uma rodada de antecedência. O título, veio neste domingo com uma pitada de emoção, já que o time comandado por Gerson Evaristo saiu perdendo e como o Betinense empatava com o Valerio em Itabira, o troféu ia caindo no colo do time da região metropolitana de BH. Aos 29’ do segundo tempo, Cassiano de cabeça aproveitou o escanteio e empatou a partida, sacramentando o primeiro título a nível estadual do Baeta.

A campanha do acesso contou com 11 vitórias, 5 empates e somente 2 derrotas em 18 jogos disputados. Foram 38 pontos conquistados somadas as duas fases da competição, sendo 36 gols marcados e 14 sofridos. O principal artilheiro foi o veterano Ademílson com 9 gols marcados, tendo sido também o principal marcador do campeonato, ao lado de Felipe Capixaba do Valério.

Time comemora o acesso no gramado da Arena do Jacaré. Foto: Divulgação Tupynambás

A história

Apesar de retornar ao futebol profissional em 2016, o Tupynambás é uma das equipes mais antigas do estado. Fundado em 15 de agosto de 1911, o clube alcançou o vice-campeonato mineiro em 1934 perdendo o título para o Villa Nova de Nova Lima. Um detalhe interessante é que o Tupi, que em 2016 disputou a Série B do Campeonato Brasileiro, foi fundado em 1912, um ano depois e formado por dissidentes do clube vermelho e branco.

O apelido “Baeta” tem duas origens, para o escritor Halber Pedrosa que escreveu o livrou “A Epopéia dos Vencedores – A Saga do Futebol em Juiz de Fora”, seria uma referencia a um tecido vermelho como a cor da camisa do clube. Já para Oddone Turolla, ex-presidente do clube, a alcunha é em homenagem a um pássaro de plumagem vermelha da zona da mata mineira, conhecido como “tié-baeta”. Já o dicionário Michaelis dá ao termo baeta a definição de aquilo que é natural de Minas Gerais. Outra alcunha utilizada pelo Tupynambás é “Leão do Poço Rico”, uma vez que o Leão é o mascote e Poço Rico o bairro de Juiz de Fora onde se localiza o seu estádio.

A última aparição do Tupynambás no futebol profissional foi na segunda divisão de 2007 quando realizou uma campanha mediana ficando na 8ª colocação na classificação final. O Baeta naquela ocasião contava com um reforço de peso, o atacante Euller “Filho do Vento”, ex-Atlético, América, Palmeiras e Vasco.
Após a participação na segunda divisão, o clube mais uma vez se afastou do futebol profissional retornando somente em 2016.

Ex-atacante Euller com a camisa do Tupynambás em 2007
Foto: Victor Minhoto/Site Jogos Perdidos

Um obrigado ao Real Madrid

Como uma negociação de um dos maiores clubes do mundo pode afetar uma equipe da terceira divisão de Minas Gerais? Pois foi justamente isso que aconteceu quando em 2015 o Real Madrid anunciou a contratação do lateral direito Danilo junto ao Porto-POR por 31,5 milhões de euros (cerca de R$ 108,5 milhões). O Tupynambás então já ausente do futebol profissional há 8 anos entrou na cota dos beneficiários, já que Danilo atuou nas categorias de base do clube em 2004 e 2005.

Danilo em destaque, pelo time juvenil do Tupynambás campeão da Liga de Juiz de Fora em 2005
Foto: Arquivo Pessoal Sérgio Eduardo/Portal da Segundona Mineira


O Tupynambás recebeu cerca de R$ 1 milhão como clube formador do atleta, dinheiro que possibilitou o pagamento das dívidas do clube e financiou também o retorno as atividades profissionais. A partir do momento em que decidiu voltar, a diretoria apostou no nome do empresário Alberto Simão para comandar a equipe. Alberto foi responsável direto nas campanhas de acesso e título do Tupi na Série D de 2011 até o acesso a Série B em 2015.

Alberto Simão (de branco) enquanto diretor do Tupi. 
Foto: Bruno Ribeiro/GloboEsporte.com

A partir daí o Baeta anunciou a contratação de jogadores importantes como o atacante Ademílson de 42 anos, ídolo do Tupi e o um técnico especialista em acessos: Gerson Evaristo, ex-Ipatinga. Com a boa campanha, o Tupynambás se credencia fortemente para a disputa do Módulo 2 que deve começar em fevereiro e já começa a sonhar com outro acesso: para a elite do futebol mineiro em 2018. 

Ademílson: artilheiro do campeonato aos 42 anos de idade.
Foto: Kiko Halfeld/Portal da Segundona Mineira