18 de janeiro de 2017

Campeonato Paranaense: briga forte no interior, mas favoritismo como sempre da capital

Para conferir o Guia do Campeonato Paranaense de forma mais completa, com a análise de todos os times, acesse ESTE LINK do blog Futebol Metrópole do jornalista Leonardo Bonassoli, que contribuiu para este post. 

Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Um campeonato tão polarizado pela capital, mas que nos últimos anos andou assistindo zebras do interior chegar forte na briga. Este é o Campeonato Paranaense, que inicia também no dia 28 de janeiro com uma promessa de disputa acirrada entre os dois grandes, Atlético e Coritiba que voltaram a fazer o clássico da grande final em 2016 após dois anos de ausência. O que pode pesar a favor do Coxa é que o Atlético tem de cara uma disputa internacional: o mata-mata da primeira fase da Libertadores diante do Millionarios da Colômbia, o que pode deixar o caminho mais livre para o alviverde. Mas e os times do interior, que tem dado trabalho nos últimos anos? Teremos novamente surpresas?

Quem traz um panorama da disputa aqui no blog é o jornalista Leonardo Bonassoli, do blog Futebol Metrópole que acompanha de perto a movimentação não só dos times da capital, mas também sobre as possíveis surpresas do interior.

EQUIPES

O Cianorte é uma das novidades deste ano, já que foi campeão da segunda divisão em 2016 e retorna a elite após dois anos de ausência. O time vem para esta temporada em luto, já que dois atletas que faleceram no acidente da Chapecoense no último mês de novembro foram jogadores da equipe: o atacante Thiaguinho e o lateral Gimenez. Cianorte também é a terra natal de Danilo, goleiro da Chape que também faleceu no acidente. Em homenagem ao goleiro, a camisa 1 não será utilizada nesta temporada. Outra novidade na elite é o Prudentópolis que aparece pela terceira vez na história na elite estadual e vem basicamente pensando em permanecer na primeira divisão. O treinador da equipe é um velho conhecido dos gramados paranaenses: o ex-zagueiro Milton do Ó com passagens marcantes pelo Atlético-PR e Paraná Clube.

Danilo, atleta da cidade será homenageado pelo Cianorte durante todo o Campeonato Paranaense

O PSTC foi uma das surpresas do ano passado quando estreou na elite e tem o desafio de manter o nível para este ano. Tem como destaque o goleiro Vitor, ex-Londrina que virou notícia no país todo quando anunciou que não poderia entrar em campo aos sábados por causa de sua religião. Portanto, quando o PSTC jogar no sábado, Vitor não estará debaixo das traves do time de Cornélio Procópio. O Toledo vem pra disputa deste ano com uma novidade: o time mudou de nome, adotando um nome igual a um dos antigos clubes da cidade. Junto a isso, o Porco começou uma campanha de marketing forte na região e tem um patrocinador de peso, o grupo BRF. O elenco mescla alguns nomes conhecidos do cenário estadual, como os destaques acima, com algumas novidades e atletas vindos da base.

O simpático porquinho, novo mascote do Toledo posa ao lado do técnico Rodrigo Cascca

O Rio Branco de Paranaguá, único time do litoral paranaense é a terceira equipe na ativa mais antiga do estado e o time do interior com mais participações na elite de forma consecutiva: desde 1996. Muitas vezes brigou contra o rebaixamento como nas últimas duas temporadas, mas conseguiu se salvar e esta é novamente a tendência da equipe. De Curitiba, porém sem a mesma grife do trio de ferro, vem o J.Malucelli que promete mais uma vez brigar por uma das vagas do estado na Série D. O time contará com o atacante Getterson, pivô de uma polêmica na temporada passada, quando quase assinou com o São Paulo, mas foi descartado porque foram descobertos tuítes corintianos em uma conta inativa do atleta.

E o Londrina, campeão em 2014 chega mais uma vez fazendo frente ao trio da capital. Depois de uma ótima participação na Série B do Campeonato Brasileiro do ano passado onde até brigou pelo acesso, o Tubarão aposta na manutenção como segredo do sucesso. Tem Claudio Tencati no banco desde 2011, técnico com maior tempo de permanência em um clube no futebol brasileiro e o capitão Germano, que lidera a equipe.

O interminável Germano: experiência a favor do Londrina
Foto: Rafael Ribeiro/Assessoria Londrina EC


HISTÓRIA

Disputado desde 1915 o Campeonato Paranaense já teve 18 campeões até aqui, sendo o Coritiba com 37 conquistas o maior vencedor. Um detalhe interessante do cenário do futebol paranaense é o alto número de fusões entre times que fizeram surgir um terceiro e em alguns casos até um quarto time. Com isso, vários dos clubes que disputaram e venceram algumas edições do campeonato estadual já não existem mais como o caso do Internacional, primeiro campeão em 1915. O alvinegro da capital se fundiu com o América, campeão de 1917 para formar o Atlético Paranaense em 1924, hoje um dos grandes do cenário estadual.

Outro time que viveu uma época de ouro no início do torneio foi o Britânia. Hexacampeão entre 1918 e 1923, voltou a ganhar em 1928 e esteve presente na disputa até 1971, quando foi extinto e se fundiu com outras duas equipes: o Palestra Itália (campeão em 1924, 1926 e 1932) e o Ferroviário (campeão em 1937, 1938, 1944, 1948, 1950, 1953, 1965 e 1966) para dar origem ao Colorado (campeão em 1980). Este último por sua vez, se fundiu com o Pinheiros (campeão em 1984 e 1987) para dar origem ao Paraná Clube. Ufa!

Britânia: o primeiro hexacampeão paranaense entre 1918 e 1923

Grêmio Maringá: o Galo campeão de 1977

Alguns outros campeões da história do estadual Paranaense também não existem mais – ou não estão mais disputando campeonatos profissionais no momento – mas não geraram outros clubes como o Comercial de Cornélio Procópio (campeão em 1961), o Monte Alegre de Telêmaco Borba (campeão em 1955) e o Água Verde da capital Curitiba (campeão de 1967).

Vários outros seguem normalmente, com idas e vindas, altos e baixos como o Iraty (campeão em 2002) que retornou em 2016 disputando a terceira divisão e conseguindo o acesso para a divisão de acesso em 2017 e o Grêmio Maringá que chegou a fechar as portas em 2004, mas retornou em 2010 realizando campanhas sem sucesso nas divisões inferiores. Em 2015 com toda a diretoria reformulada, o Galo do Norte disputou a terceira divisão que contou apenas com 3 equipes e foi promovido a segunda por causa da desistência do Arapongas. Em 2017 o time estará na disputa da segunda divisão onde encontrará o xará e co-irmão Maringá FC fundado em 2010 e que já foi vice-campeão estadual em 2014. Outro campeão que hoje figura na segunda divisão é o Paranavaí que ficou com o título em 2007. Já o Londrina é o clube do interior mais bem sucedido na história do estadual. Campeão em 1962, 1981 e 1992, nesta década, o Tubarão até chegou a cair para a segunda divisão em 2009, mas retornou em 2011 e de lá pra cá se reestruturou conquistando seu quarto título estadual em 2014 e o acesso para a Série B do Brasileiro em 2015.

Os grandes da capital e a nova força dos anos 90

O Coritiba venceu seu primeiro título em 1916, logo na segunda edição do torneio. Mas viveu um período de seca, sendo superado pelo Britânia e Palestra Itália até voltar a ser campeão em 1927 diante do novo rival, o Atlético. O rubro negro chegou ao título logo em sua segunda participação, no ano de 1925 e ainda repetiu a dose em 1929 e 1930 conquistando ambos os títulos em cima do Operário de Ponta Grossa.

Equipe do Coritiba campeã em 1916

Um ano após a fusão entre Internacional e América, o Atlético Paranaense conquistou seu primeiro título em 1925

Coritiba e Atlético foram os maiores vencedores nos anos seguintes, sendo desbancados vez ou outra pelos times do interior, mas foi na década de 90 que uma terceira força da capital chegou para mexer com o futebol paranaense até em escala nacional. Nascido em 1989 da junção de Colorado e Pinheiros o Paraná Clube logo mostrou a que veio. Em sua primeira participação em 1990 já alcançou a quarta colocação (como herdou a vaga do Colorado, o Paraná não precisou disputar a segunda divisão) e aplicou a maior goleada do campeonato: 9-1 pra cima do Paranavaí. E em 1991 venceu seu primeiro título estadual deixando Coritiba e Atlético pra trás e em 1992 após ser eliminado nas semifinais, focou na disputa da Série B do Campeonato Brasileiro onde conseguiu o acesso para a elite com apenas 4 anos de idade. De 1993 a 97 o Paraná Clube abriu uma dinastia no estadual conquistando um pentacampeonato e vivendo seu maior período de glória até hoje. Após o início avassalador, o Paraná vive hoje um jejum de títulos já que sua última conquista foi em 2006 diante do ADAP de Campo Mourão.

A última grande zebra aconteceu em 2015 com o Operário de Ponta Grossa conquistando o título, ao vencer o Coritiba na final com um sonoro 3-0 no Couto Pereira. Porém a defesa do título foi uma das piores da história, já que o time acabou rebaixado na edição seguinte e em 2017 vai tentar retornar a elite do futebol paranaense.