23 de janeiro de 2017

Especial Campeonato Mineiro: a história alternativa

Arte: Federação Mineira de Futebol - 100 anos do Campeonato Mineiro em 2015


Quando se conta a história do Campeonato Mineiro, a ótica adotada sempre é a dos clubes da capital. E até com certa razão, pois nos primeiros anos da competição somente os times de Belo Horizonte e região metropolitana disputavam o torneio, que era batizado como “Campeonato da cidade de Belo Horizonte”. O primeiro campeão foi o Atlético, logo veio o decacampeonato do América, o surgimento do Palestra Itália/Cruzeiro, mas essas são histórias que todo mundo já sabe...

Mas e os times do interior? Qual o papel dos clubes das mais variadas regiões de Minas Gerais na história do Campeonato Mineiro? Quantos clubes e quais cidades já estiveram presentes na disputa de 1933 (data do primeiro campeonato da era profissional) até 2016? Ao todo, 69 equipes do interior já jogaram na primeira divisão do Campeonato Mineiro, mas destas somente 21 seguem com suas atividades profissionais, seja na primeira, segunda ou terceira divisão do estado. Outros estão extintos, alguns seguem disputando campeonatos amadores e/ou categorias de base e se encontram licenciados junto a Federação Mineira de Futebol.


Vamos relembrar quem foram os interioranos e quem marcou seu nome na história da competição nestes 102 anos de disputa.


Cronologia


Villa Nova, o primeiro campeão mineiro na era do profissionalismo em 1933

De 1915 a 1932 o torneio era disputado somente por times de Belo Horizonte e região metropolitana como Nova Lima e Sabará, porém existia um torneio paralelo que era o campeonato de Juiz de Fora. Com o profissionalismo em 1933 os dois campeonatos foram unificados e os times da zona da mata participaram pela primeira vez do torneio brigando pelo título com os da capital. Tupi, Tupynambás e Sport jogaram essa primeira edição ao lado de América, Atlético, Palestra Itália, Siderúrgica de Sabará, Retiro e Villa Nova, ambos de Nova Lima. No ano seguinte, somente o Tupynambás participou do campeonato ao lado das mesmas equipes.

De 1935 a 1937 o torneio contou com as mesmas equipes: América, Atlético, Palestra Itália, Siderúrgica, Retiro e Villa Nova. Em 1938 o Retiro de Nova Lima desistiu da disputa e deu lugar ao Sete de Setembro da capital, time tradicional do bairro Floresta. Em 1941 outro time da capital esteve na disputa, o Sport Club Aeroporto que jogou apenas duas edições, esta e a do ano seguinte, sendo extinto em seguida. O primeiro time fora da região metropolitana da capital (exceto os de Juiz de Fora) a integrar o Campeonato Mineiro foi o Uberaba Sport em 1945, time que já disputava os torneios realizados no triangulo mineiro.

Time do Uberaba de 1945: o primeiro do triângulo no Campeonato Mineiro

No ano seguinte o Metalusina de Barão de Cocais fez sua estréia e no início da década de 50 mais três equipes da região metropolitana entraram na disputa: Meridional de Conselheiro Lafaiete em 1951, Asas de Lagoa Santa em 1952 e o Democrata de Sete Lagoas em 53, sendo seguido pelo Bela Vista, também de Sete Lagoas em 1958.

Em 1958 o torneio passou a ficar mais aberto e a edição deste ano contou com 17 clubes, numero recorde de participantes até então. Entraram o Guarani de Divinópolis, Valério de Itabira, Pedro Leopoldo FC, Curvelo EC e o Renascença FC (foto), este último da capital.

1963 foi a vez da primeira participação do Uberlândia e no ano seguinte a do Nacional de Uberaba. O torneio ficava cada vez mais mineiro, agora com a adesão de clubes de quase todas as regiões do estado, o que se confirmou a partir de 1966 com a entrada do Formiga, Araxá e Usipa em 1967, Independente de Uberaba em 1968, Democrata de Governador Valadares e Villa do Carmo de Barbacena, além do retorno do Tupi de Juiz de Fora em 1969.

No início da década de 70 mais novos times surgiam para a disputa da competição. O torneio de 1970 contou com uma fase eliminatória onde somente os três primeiros se classificariam para a disputa final com os times da capital. Com isso, clubes como o Flamengo de Varginha, Atlético de Três Corações, Olympic de Barbacena, Athletic de São João Del Rei, Acesita de Timóteo, Paraense de Pará de Minas e Fluminense de Araguari entraram na competição. O Casimiro de Abreu de Montes Claros fez sua estréia em 71 e Araguari, Caldense, Fabril de Lavras, Nacional de Muriaé e União Tijucano de Ituiutaba em 1972. 1974 marcou o aparecimento do ESAB de Contagem, primeiro clube-empresa da história do futebol mineiro e foi seguido por Guaxupé no ano seguinte e URT de Patos de Minas, Arsenal e 13 de Maio, ambos de Frutal em 1976. O Ateneu de Montes Claros fechou a década de 70 com sua primeira participação em 1979.

Time da Caldense de 1972 em sua primeira participação no Mineiro. Foto em: Botões para sempre.

A década de 80 começou com o Alfenense aparecendo pela primeira vez e já aprontando pra cima de um grande, no caso o Atlético atual bicampeão e base da Seleção Brasileira na época que sofreu sua única derrota na competição. 1985 trouxe o XV de Novembro de Uberlândia, seguido por Esportivo de Passos em 86, Rio Branco de Andradas em 87, Minas de Boa Esperança em 88 e Pouso Alegre em 89.

A grande surpresa do início da década de 90 foi o surgimento do Juventus de Divinópolis que deixou o tradicional Guarani pra trás e participou de três edições seguidas da elite estadual. O time fez sua estréia junto com a Paraisense de São Sebastião do Paraíso em 1990. No ano seguinte apareceram Trespontano de Três Pontas, Patrocinense, Ribeiro Junqueira de Leopoldina e Ipiranga de Manhuaçu e em 1992 o Mamoré de Patos de Minas. 1997 trazia Montes Claros de volta ao cenário estadual com o time de mesmo nome ao lado do Social de Coronel Fabriciano.

O Ituiutaba, hoje Boa Esporte debutou na elite em 2001
A década de 2000 começou com o aparecimento de um time que marcaria história no futebol mineiro: o Ipatinga. A equipe que deu trabalho aos grandes chegando a Série A do Campeonato Brasileiro em 2008 foi campeã mineira três anos antes, fato que não acontecia desde 1964 quando o Siderúrgica levou o título para Sabará. Em 2001 surgiu outro time marcante, o Ituiutaba. A equipe disputou os primeiros 10 anos na cidade do triangulo mineiro, mas em 2011 logo após conseguir o acesso para a Série B do Campeonato Brasileiro se mudou para Varginha, onde está até hoje.

Os últimos estreantes surgiram apenas nesta década, sendo o América de Teófilo Otoni em 2010, o Funorte em 2011, o Nacional de Nova Serrana em 2012, Tombense em 2013, Minas Boca de Sete Lagoas em 2014 e Tricordiano em 2016.


Equipes marcantes

O bi-campeão Mineiro do interior


Time campeão de 1937: Tonho, Rômulo Januzzi, Ferreira, Chico Preto, Mascote, Paulo Florêncio, Moraes, Geraldo Rebelo, Chiquinho, Arlindo e Princesa. Foto em: Sabaranet.com.br

O Siderúrgica era a grande força fora de Belo Horizonte nos primeiros anos do Campeonato Mineiro. Fundado e patrocinado pela usina siderúrgica Belgo Mineira em 1930 a equipe marcou presença de forma ininterrupta nos campeonatos de 1933 a 1966 se sagrando campeão em duas ocasiões, em 1937 e 1964, último campeonato antes da “era Mineirão”.

Com o título de 1964 o Siderúrgica se qualificou para a disputa da Taça Brasil de 1965 onde foi o primeiro clube mineiro a jogar uma partida interestadual no recém inaugurado Mineirão quando venceu o Atlético Goianiense por 3-1 em 29/09/1965. Na ocasião, o Siderúrgica foi eliminado pelo Grêmio nas oitavas de final daquela competição. Em 1966 já carregando algumas dívidas devido as campanhas dos anos anteriores, o time foi rebaixado no Campeonato Mineiro e no ano seguinte devido a uma crise que abateu sobre a empresa Belgo, o patrocínio do departamento profissional foi retirado, mantendo apenas os amadores. Desde então o Siderúrgica nunca mais voltou a elite do futebol mineiro, tendo se licenciado de 67 a 93 quando retornou na Segunda Divisão que disputou até 97, mas nunca conseguiu o acesso. Em 2016 o time disputou mais uma vez a segunda divisão, terminando na última posição de seu grupo com apenas 2 pontos conquistados em 8 jogos.

A quarta força da capital

Time do Sete de Setembro em 1950, ano da construção do Estádio Independência

O Sete de Setembro foi fundado em 1913 e disputou a maioria dos campeonatos da era amadora estreando em 1916 e seguiu firme durante 30 edições da era profissional, sendo de 1938 a 1961 de forma ininterrupta. O clube começou a entrar em crise na década 60 devido a inauguração do Mineirão, já que o Sete faturava a maior parte de sua receita devido ao aluguel do estádio Raimundo Sampaio (Independência) para os outros três clubes de Belo Horizonte. O “Tigre da Floresta” conseguiu sobreviver e disputar mais alguns campeonatos até o ano de 1976 quando deixou definitivamente a primeira divisão. Em 1997 venceu o campeonato mineiro da Segunda Divisão (que na prática é a 3ª), mas mesmo com o título o clube não conseguiu se manter no futebol profissional e se dedicando somente as categorias de base de 1998 a 2001 quando foi definitivamente incorporado ao América e desapareceu. Em sua história o Sete conquistou três títulos: o Torneio Início de 1922, o “Torneio Oscar Paschoal” em 1956 composto por times eliminados no Campeonato Mineiro de 55 e a Segunda Divisão em 1997.


O terror dos grandes da capital

Curvelo Esporte Clube: campanhas sem brilho, mas goleadas em Atlético e Cruzeiro

A participação do Curvelo Esporte Clube na primeira divisão do Campeonato Mineiro durou apenas três anos e o time nunca fez uma grande campanha que brigasse por título ou chegasse a final, porém o rubro-negro deixou marcas principalmente na dupla da capital. O time estreou em 1958  ao lado de vários outros do interior como o Valério de Itabira, o Guarani de Divinópolis e outros que chegavam para expandir um pouco mais os horizontes do torneio, quase sempre focado na capital. No primeiro ano, o time terminou na 15ª posição entre 16 equipes, somando apenas 19 pontos em 30 jogos. Só que no dia 25 de maio deste ano o time aprontou feio pra cima do Cruzeiro, quando jogando em Belo Horizonte fez 5-1 na Raposa com três gols de Valdo, um de Mozart e um de Eliston enquanto Joe descontou para o time da capital.

Em 1959 mais uma campanha longe de encher os olhos e em 1960, no seu ano de despedida da elite foi a vez do Atlético sentir a força do time curvelano. Na terceira rodada, dia 24 de julho de 1960 o time goleou o Atlético por 4-1 em casa com gols de China, três vezes e Dirceu enquanto Willian descontou para o Galo. Neste ano o time voltou a vencer o Cruzeiro, por 2-1 no dia 3 de julho. As vitórias sobre os grandes não adiantaram e o time acabou rebaixado, nunca mais voltando a figurar entre os grandes do futebol mineiro. Sua última aparição no futebol profissional foi em 1989 na Segunda Divisão e desde então figura no amadorismo e nas categorias de base.


O primeiro clube-empresa

Os chamados clubes-empresa tiveram uma ascensão muito grande durante a década de 2000, mas em Minas Gerais o primeiro surgiu ainda na década de 70. O ESAB (sigla sueca para Elektriska Svetsnings Aktiebolaget, e em português significa “Indústria de Soldas Elétricas”) surgiu despretensiosamente em 1970, quando funcionários da multinacional que aproveitavam as horas vagas para jogar futebol resolveram se dirigir a um dos diretores da empresa e pedir um jogo de uniformes. Para a sorte deles, o diretor consultado foi o Sr. Leif Gronsted, sueco e amante de futebol que atendeu com entusiasmo o pedido. Neste mesmo ano o time de funcionários da ESAB foi para a disputa da Copa Itatiaia, maior torneio de futebol amador de Minas Gerais levando o troféu já na primeira participação. 

Matéria na Revista Placar mostrando Evaldo e Oldair com a camisa do ESAB

O sucesso imediato empolgou ainda mais o “Mister Leif” que passou a investir ainda mais na equipe convencendo os outros diretores da empresa que o futebol seria um ótimo investimento. A ESAB então passou a fornecer ônibus próprio, concentração e cuidar de toda a parte de logística do time. Em 1972 novamente o time ganhou a Copa Itatiaia e o tamanho sucesso resultou em um convite para a disputa do Campeonato Mineiro de 1974 ao lado dos maiores clubes do estado. Com o crescimento, o ESAB passou a aceitar jogadores que não trabalhavam na empresa, casos de Evaldo, ex-Cruzeiro e Oldair, ex-Atlético que já veteranos vestiram a camisa do clube-empresa de Contagem. Seu melhor momento no Campeonato Mineiro foi em 1975 quando decidiu o returno contra o Cruzeiro. Em 1977 em sua ultima participação, o ESAB terminou na 10ª posição e a partir daí os diretores da empresa resolveram encerrar as atividades por um motivo peculiar: o time estava crescendo demais e demandando muita atenção por parte dos diretores que dividiam as atividades entre a empresa e o futebol.


A surpresa do Sul de Minas


Alfenas é uma pacata cidade do sul de Minas que hoje tem cerca de 78 mil habitantes e em 1980 marcou seu nome na história do Campeonato Mineiro através de seu representante na competição, o Alefenense Futebol Clube. O verde e branco formado basicamente por jogadores da região sul mineira foi responsável pela única derrota do Atlético de Telê Santana e Reinaldo naquela competição. O Galo vinha de dois títulos consecutivos e era base da Seleção Brasileira na época, com Reinaldo vivendo seu auge. Nada disso no entanto intimidou o atacante Tatau e seus colegas que venceram por 1-0, numa das maiores zebras da competição. O time de Alfenas disputou 4 edições do Mineiro: 1980, 1984, 1993 e 1994 quando foi rebaixado e a partir daí não conseguiu mais retornar a elite. Tem várias passagens pelas divisões inferiores e sua última aparição no futebol profissional foi em 2006 quando disputou a Segunda Divisão, se licenciando e entrando no amadorismo desde então.


O Azulão



Tricampeão mineiro do interior, o “Azulão” como era conhecido se tornou um dos times mais respeitados do cenário do interior de Minas Gerais por sempre realizar bons campeonatos e dar trabalho para os grandes. Fundado em 1948, o time da pacata Andradas cidade de 40 mil habitantes, se dedicou até 1985 ao futebol amador e categorias de base. Mas no final de 85 foi profissionalizado e o sucesso veio rápido, com o time sendo vice-campeão da segunda divisão em 86 e garantindo o lugar na elite em 1987. Foram 7 participações seguidas até 1993 quando caiu, mas retornou já no ano seguinte. Em 1998 o Azulão chegou ao nível nacional, disputando o Campeonato Brasileiro da Série C e de 2000 a 2009 esteve presente em 8 edições do Mineiro.


Estádio Parque do Azulão em Andradas
Foto: Portal da Cidade/Andradas
Mas neste ano, após mais uma boa campanha no Mineiro quando terminou na quarta posição, a diretoria do clube teve problemas com a prefeitura por causa do estádio Parque do Azulão que pertencia ao governo municipal. Sonhando em fazer melhorias no estádio para adequa-lo as normas de segurança e ampliar sua capacidade, a diretoria do Rio Branco propôs a prefeitura a troca de um terreno avaliado em R$ 450 mil pela posse definitiva do estádio, o que foi negado. Sem a estrutura necessária, a direção do clube resolveu então interromper as atividades do departamento de futebol profissional, medida que continua até os dias de hoje.


Acesso e queda na mesma rapidez

Um dos casos mais bem sucedidos de uma equipe do interior, o Ipatinga Futebol Clube descendeu do mesmo jeito que ascendeu, muito rapidamente. Fundado em 1998 o time conseguiu o acesso antes mesmo de completar 1 ano, quando foi vice-campeão da Segunda Divisão perdendo o título para o Passos FC. No ano seguinte, mais um vice-campeonato no Módulo 2 o que deu o direito de disputar a primeira divisão já em 2000. Cinco anos depois o time do Vale do Aço conquistava seu maior feito: o título mineiro em cima do Cruzeiro em pleno Mineirão quebrando uma sequencia que durava desde 1964 quando o Siderúrgica venceu o último título de uma equipe do interior. Até então, somente América, Atlético e Cruzeiro tinham vencido o campeonato.

O time campeão de 2005 que quebrou um tabu de 41 anos sem títulos do interior

2006 foi o grande ano do Ipatinga. O time por pouco não levou o bicampeonato mineiro, mas surpreendeu na Copa do Brasil caindo apenas nas semifinais e deixando pra trás equipes como o Santos e o Botafogo, campeões estaduais. No final do ano, o terceiro lugar na Série C dava a equipe a vaga na Série B do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, mais um acesso dessa vez a elite do futebol brasileiro, com o vice-campeonato da Série B. Porém 2008 foi um ano ruim. A equipe realizou uma campanha fraca no Campeonato Mineiro sendo rebaixada e interrompendo uma seqüência de 8 anos na elite, o que refletiu no Brasileirão onde o time não conseguiu sair da zona do rebaixamento e caiu com uma rodada de antecedência.

Na Série A: o Ipatinga deu trabalho na década passada
O Ipatinga se manteve entre as Série C e B do Campeonato Brasileiro e Módulo 2 e 1 do Mineiro até 2013 quando as dificuldades financeiras e a falta de interesse do público do Vale do Aço devido as pífias campanhas do clube culminaram na mudança da equipe para Betim, na região metropolitana da capital. Neste ano disputou a Série C do Brasileiro com o nome de Betim Esporte Clube e tendo que mandar os jogos na Arena do Jacaré em Sete Lagoas, o que resultava em público quase zero nas partidas como mandante. Após a eliminação nas quartas de final foi selado seu retorno para o Vale do Aço. Sul última aparição na elite mineira foi em 2011 e em 2016 chegou ao fundo do poço ao ser derrotado pelo América-TO em pleno Ipatingão por 3-1 e selar seu rebaixamento para a Segunda (3ª) Divisão de MG.


A saga de Montes Claros

Com seus quase 400 mil habitantes, a cidade de Montes Claros é uma das maiores e mais importantes de Minas Gerais. Pólo do norte do estado, a cidade já teve quatro representantes diferentes na elite do futebol no estado, porém nenhum conseguiu se firmar de forma convincente. O primeiro representante foi o Casimiro de Abreu que estreou em 1971 e teve sucesso na fase classificatória, terminando na primeira posição superando Democrata-SL, Sete de Setembro e Democrata-GV. Porém na fase final contra os grandes de BH e demais classificados, acabou na última posição com apenas 1 vitória em 22 jogos. Nos dois anos seguintes as campanhas ruins também se repetiram e em 1973 se despediu da elite.

Time do Ateneu que estreou na primeira divisão em 1979

Em 1979 foi a vez de outra equipe, o Ateneu que é considerado o time mais popular da cidade. Porém a campanha também não foi das melhores. Finalizou o primeiro turno na 15ª posição entre 16 equipes e o segundo na 14ª posição. Sua última aparição no futebol profissional foi em 2002 quando disputou o Módulo 2 e desde então está licenciado. Depois de quase duas décadas de ausência, em 1997 surgiu o Montes Claros Futebol Clube. Apelidado de “Bicho”, o time foi fundado com as cores e o escudo em clara homenagem o Grêmio de Porto Alegre, time do coração do empresário Joeville Paulo Mocellin, idealizador do projeto.

O Montes Claros teve sucesso na disputa do Módulo 2 em 1996 quando o vice-campeonato o deu a vaga na elite mineira em 97 onde se mostrou como uma das grandes surpresas daquela edição. Jogando no estádio José Maria de Mello (que pertence ao Casimiro de Abreu) o time venceu Atlético e Cruzeiro por 1-0 e o Villa Nova por 2-0 e chegou a figurar na vice-liderança da competição. Se classificou para as quartas de final onde contratou o já veterano Éder Aleixo para a disputa, mas foi eliminado pelo Cruzeiro. A boa campanha no Mineiro deu ao time uma vaga na Série C do Campeonato Brasileiro onde repetiu o sucesso, só parando nas quartas de final para a Francana-SP quando perdeu a vaga para fase final nos pênaltis.

Em 1997 o "bicho" foi o único time a vencer Atlético e Cruzeiro

Em 1998 as dificuldades financeiras apareceram no Bicho e o time ficou longe de repetir a empolgação do ano anterior. Foi rebaixado com uma goleada por 4-1 para o Villa Nova na última rodada e a partir daí encaminhou um pedido de licença junto a Federação Mineira de Futebol. O time ainda retornou em 2004 na Segunda Divisão, mas a pífia campanha selou novamente o fechamento do futebol profissional. Em 2012 retornou de vez, disputando a Segunda Divisão e no ano seguinte conquistou o acesso ao Módulo 2 com um time formado basicamente por atletas da cidade e região norte de Minas. Mas em 2015 novamente o time amargava o retorno a segundona. O clube ganhou destaque nacional em 2014 quando anunciou o acerto com o goleiro Bruno, ex-Atlético e Flamengo condenado a 22 anos de prisão, mas a justiça não liberou o ex-goleiro para o trabalho externo, já que cumpre pena em regime fechado.

O último representante da cidade na elite foi o Funorte Esporte Clube. Outro clube-empresa no cenário mineiro, o Funorte é derivado da instituição Faculdades Unidas do Norte de Minas situada em Montes Claros. Fundado em 2007 o time teve acesso rápido quando conquistou o título da Segunda Divisão em 2008 superando o América-TO. Em 2010 ascendeu a elite mineira por causa de um erro do Mamoré de Patos de Minas que vice-campeão daquela edição, acabou sendo punido pela FMF devido a inscrição irregular de um jogador. Com isso, a vaga que era do Mamoré foi repassada ao Funorte, terceiro colocado no campeonato. Mas a participação na elite esteve longe de ser brilhante e o time acabou rebaixado na última rodada ao perder para o Democrata-GV por 5-2 em casa. Desde então o Funorte caiu novamente para a Segunda Divisão e se licenciou em 2014, quando passou a disputar apenas campeonatos de base.

Campeão da Segunda Divisão em 2008 o Funorte esteve somente por um ano na elite



Lista de clubes que já disputaram a primeira divisão de Minas Gerais

Time
Cidade
Situação atual
N° de participações
13 de Maio
Frutal
Extinto
1
Acesita
Timóteo
Amador***
1
Aeroporto
Belo Horizonte
Extinto
2
Alfenense
Alfenas
Amador
4
América
Teófilo Otoni
Módulo 1
5
Araguari
Araguari
Licenciado
8
Araxá
Araxá
Módulo 2
12
Arsenal
Frutal
Licenciado
1
Asas
Lagoa Santa
Extinto
8
Ateneu
Montes Claros
Licenciado
2
Athletic
São João del Rei
Amador
1
Atlético
Três Corações
Licenciado 
9
Bela Vista
Sete Lagoas
Licenciado/Base
5
Caldense
Poços de Caldas
Módulo 1
44
Casimiro de Abreu
Montes Claros
Licenciado
4
Curvelo
Curvelo
Amador/Base
3
Democrata
Sete Lagoas
Licenciado
38
Democrata
Gov. Valadares
Módulo 1
34
ESAB
Contagem
Extinto
4
Esportivo
Passos
Licenciado
7
Fabril
Lavras
Licenciado
8
Flamengo
Varginha
Extinto
4
Fluminense
Araguari
Licenciado
5
Formiga
Formiga
Licenciado*
6
Funorte
Montes Claros
Licenciado
1
Guarani
Divinópolis
Módulo 2
37
Guaxupé
Guaxupé
Licenciado
5
Independente
Uberaba
Amador
4
Ipatinga
Ipatinga
Segunda Divisão
11
Ipiranga
Manhuaçu
Licenciado
6
Ituiutaba/Boa
Ituiutaba/Varginha
Módulo 2
10
Juventus
Divinópolis
Extinto
4
Mamoré
Patos de Minas
Módulo 2
11
Meridional
Conselheiro Lafaiete
Extinto
9
Metalusina
Barão de Cocais
Licenciado/Base
15
Minas
Boa Esperança
Amador
1
Minas Boca
Sete Lagoas
Licenciado
1
Montes Claros
Montes Claros
Licenciado
2
Nacional
Uberaba
Licenciado
27
Nacional
Muriaé
Módulo 2
11
Nacional
Nova Serrana
Extinto**
3
Olympic
Barbacena
Licenciado ***³
1
Paraense
Pará de Minas
Amador
1
Paraisense
São Sebastião do Paraíso
Licenciado
4
Patrocinense
Patrocínio
Módulo 2
4
Pedro Leopoldo
Pedro Leopoldo
Amador
7
Pouso Alegre
Pouso Alegre
Licenciado
4
Renascença
Belo Horizonte
Licenciado
9
Retiro
Nova Lima
Licenciado
7
Ribeiro Junqueira
Leopoldina
Amador
1
Rio Branco
Andradas
Licenciado
18
Sete de Setembro
Belo Horizonte
Extinto
28
Siderúrgica
Sabará
Segunda Divisão
33
Social
Coronel Fabriciano
Módulo 2
7
Sport
Juiz de Fora
Licenciado
5
Tombense
Tombos
Módulo 1
5
Trespontano
Três Pontas
Licenciado
3
Tricordiano
Três Corações
Módulo 1
2
Tupi
Juiz de Fora
Módulo 1
32
Tupynambás
Juiz de Fora
Módulo 2
3
Uberaba
Uberaba
Módulo 2
43
Uberlândia
Uberlândia
Módulo 1
42
União Tijucana
Ituiutaba
Extinto
5
URT
Patos de Minas
Módulo 1
17
Usipa
Ipatinga
Extinto***²
3
Valério
Itabira
Segunda Divisão
43
Villa do Carmo
Barbacena
Licenciado/Base
2
Villa Nova
Nova Lima
Módulo 1
90
XV de Novembro
Uberlândia
Extinto****
2

* O Formiga estava ativo até 2016 e inscrito para disputar o Módulo 2 em 2017 com seus representantes participando inclusive do arbitral da competição, mas o clube desistiu da disputa em dezembro alegando problemas financeiros e foi punido pela FMF.
** O Nacional Esporte Clube de Nova Serrana foi um clube empresa e também mandou seus jogos em Patos de Minas e Muriaé. Em seu último ano utilizou a alcunha de “Nacional de Muriaé” mesmo sendo diferente do Nacional de Muriaé atual, que é o original de nome Nacional Atlético Clube.
*** O Acesita, apesar de não possuir departamento de futebol profissional mantém as atividades como clube social e disputa campeonatos amadores da região.
***² Usipa é um clube social de Ipatinga que existe até os dias de hoje, não possuindo o departamento de futebol profissional.
***³ O Olympic também é um clube social em Barbacena.
**** O XV foi “refundado” pelo cantor e empresário Fernando Pires com o nome de “XV Uber” em 2014, mas por problemas na documentação o time não conseguiu a liberação para disputar a Segunda Divisão.



Pesquisa:

Revista Placar
Globo Esporte.com