28 de março de 2017

Primeira fase do Módulo 2 chega ao fim com grandes surpresas e grandes decepções

Foto: Kiko Halfeld


Com uma rodada de antecipação, o hexagonal final do Campeonato Mineiro do Módulo 2 já está definido. Ambos os grupos não precisarão da última rodada para definir os classificados para a fase final da competição que apontará os dois clubes classificados para a Série A em 2018. No sábado, o Grupo B que já tinha Patrocinense e Uberaba garantidos, encerrou a disputa com a classificação do Boa Esporte. Com a definição, resta para a última rodada apenas a luta contra o rebaixamento entre Mamoré (7 pontos), Araxá e CAP Uberlândia (6 pontos). Mamoré e Araxá se enfrentam em Patos de Minas e o CAP viaja a Varginha para jogar contra o Boa.

No Grupo A que já tinha Betinense e Tupynambás classificados antecipadamente definiu o último nesta segunda-feira com a vitória do Nacional de Muriaé sobre o Guarani por 2-1. Como o Nacional tem o jogo contra o Formiga marcado pela última rodada e receberá os 3 pontos e a vitória por 3-0 sobre o time do centro-oeste, mesmo que o Social vença seu jogo contra o Betinense não conseguirá alcançar o NAC. Com isso, Social e Guarani, ambos que já foram campeões do Módulo 2 se despedem mais cedo da competição.


Decepções

O Módulo 2 de 2017 ficará marcado por três grandes decepções dentro de campo. Mamoré de Patos de Minas, Social de Coronel Fabriciano e Guarani de Divinópolis, todos que já foram bicampeões do torneio encerram suas participações de forma melancólica e deixam um sabor amargo em suas grandes e fiéis torcidas.

O Mamoré, campeão do Módulo 2 em 2000 e 2014 este ano teve passagem apagadíssima, nem chegando a figurar entre os classificados para o hexagonal final. O time que vê novamente sua grande rival URT fazer um ótimo campeonato na elite estadual decepcionou mais uma vez e até o momento conquistou somente uma vitória na competição. O time ainda corre risco de rebaixamento já que soma 7 pontos contra 6 de Araxá e CAP Uberlândia, mas tem a seu favor o fato de jogar em casa contra o Araxá em confronto direto contra a degola no próximo sábado.

A única vitória do Sapo até aqui foi diante do CAP em casa
Foto: Toninho Cury/Ag Esporte


O Social de Coronel Fabriciano repete a campanha do ano passado e não consegue avançar além da primeira fase. O time campeão em 1996 e 2007 montou uma equipe de nomes conhecidos da torcida do Vale do Aço, como o atacante Eraldo que retornou ao clube, o meia Rafael Serrano e o também atacante Rodrigo Pardal, fez uma boa pré-temporada vencendo o Democrata de Valadares do Módulo 1, mas não conseguiu se encaixar sob o comando do técnico Gian Rodrigues. Só que a coisa piorou quando o treinador saiu, após o empate por 1-1 com o Guarani em casa. O auxiliar Roberto Carlos não conseguiu levar o time a uma vitória e a equipe acabou eliminada. Encerrará a participação sábado contra o Tupynambás no estádio Louis Ensch.

Social iniciou com vitória, mas o time não encaixou como esperado
Foto: Breno Mendes/Vale do Aço Esportes


Mas a grande decepção do campeonato fica por conta do Guarani de Divinópolis. Apontado como grande favorito – e tinha razões pra isso já que nas últimas duas vezes que caiu, 2002 e 2010, o Bugre voltou à elite como campeão – o time apostou numa parceria com o América que não rendeu nada dentro de campo. Sob o comando de Flávio Lopes que não exercia o cargo de treinador há cinco anos, o time recebeu 11 atletas pertencentes ao time da capital e que nada acrescentaram dentro de campo. Flávio durou apenas 3 jogos no comando e a chegada de Gerson Evaristo não mudou muita coisa na forma de jogar do time.

O experiente Gerson Evaristo não pôde corrigir os erros anteriores

As contratações acima dos 24 anos também foram bastante questionadas, já que o volante Evandro Teixeira e o atacante Oliveira pouco somaram ao grupo. O meia Evandro Russo teve lampejos e o atacante Juninho se contundiu logo no início do campeonato, tendo participado somente dos minutos finais da partida contra o Nacional. A zaga campeã do Módulo 2 em 2016, Álvaro e Carciano não renderam o esperado. O grande – e talvez único – destaque do Bugre no campeonato foi o veterano goleiro Glaysson que retornou ao clube após ser campeão do Módulo 2 em 2002 e evitou que o time saísse de campo com placares mais dilatados em alguns jogos.

O Bugre que se reconstruiu administrativamente fora de campo nos últimos anos viu o futebol ficar muito abaixo do esperado e se despedirá da temporada 2017 no próximo sábado diante do Betinense, num jogo que provavelmente terá um Farião melancolicamente vazio.


Surpresas

Se por um lado as camisas mais pesadas decepcionaram, por outro lado um time que surgiu recentemente no cenário mineiro foi a grande surpresa. O Betinense da região metropolitana de Belo Horizonte não possui nem estádio próprio – manda seus jogos na Arena do Jacaré em Sete Lagoas – mas montou um time que se não subir dará trabalho no hexagonal final. O planejamento da equipe acertou na contratação dos nomes acima dos 24 anos: Luizinho, Magalhães, Paulo Roberto, Cassiano e manteve a base de jovens vice-campeã da Segunda Divisão em 2016. Fechará a primeira fase na liderança isolada do grupo A independente do resultado do próximo sábado. Até agora tem 6 vitórias e apenas 1 derrota.

Página do clube no Facebook tem campanha para estádio próprio em Betim.
Sonho que pode se realizar com acesso?


O Clube Atlético Patrocinense que só entrou na disputa este ano graças a desistência do Minas Boca é outra grata surpresa para a apaixonada torcida de Patrocínio, que nunca se empolgou o suficiente com a SEP (Sociedade Esportiva Patrocinense) genérica, que representou a cidade em competições profissionais até ano passado. O time tem até o momento a melhor campanha da competição com 21 pontos somados e nenhuma derrota. Decidirá a liderança do Grupo B no sábado quando enfrenta o Uberaba fora de casa.

Torcida da Patrocinense lota o Julio Aguiar no jogo contra o Boa Esporte


Mas a grande surpresa do campeonato é o Tupynambás. O histórico time de Juiz de Fora que participou das primeiras edições do Campeonato Mineiro da era profissional na década de 30 retornou ao profissionalismo ano passado após mais de uma década de inatividade sob o comando do competente Alberto Simão que já fez história no outro clube da cidade, o Tupi. A grande surpresa é porque o projeto do Baeta inicialmente era apenas se consolidar no Módulo 2, o que foi admitido pelo técnico Ludyo Santos em entrevista a Rádio Minas de Divinópolis após o empate com o Guarani por 1-1 em juiz de Fora. “Tenho contrato de cinco anos aqui, então o projeto é pensado a longo prazo. Precisamos nos estruturar dentro e fora de campo primeiro, nos consolidar no cenário profissional para aí sim podermos dar o próximo passo que é subir e buscar vôos mais altos”, declarou. O Tupynambás garantiu a classificação com uma rodada de antecedência após vencer o Guarani por 3-2 em Divinópolis e agora entrará como azarão no hexagonal. Mas alguém ousa duvidar?

Comemoração da jovem equipe do Baeta
Foto: Kiko Halfeld

Finalização da primeira fase

A última rodada será toda realizada no sábado e terá pouca coisa a ser decidida. No Grupo A Guarani x Betinense e Social x Tupynambás apenas cumprirão tabela, já que nada mudará na classificação. O time de Betim é o primeiro, o Baeta o segundo e o Nacional ficou com a terceira vaga. Já no Grupo B temos dois cenários. Uberaba x Patrocinense decidem a liderança do grupo e de quebra de quem será a melhor campanha da competição, desde que não haja empate entre os dois. Mas a grande briga será contra o rebaixamento, já que Mamoré, Araxá e CAP Uberlândia estão ameaçados.

Mamoré e Araxá se enfrentam em Patos e precisam apenas de uma vitória para se garantir no Módulo 2 ano que vem. Caso um dos dois perca, também podem continuar desde que o CAP não vença o Boa Esporte em Varginha.